4 de novembro de 2011

Reflexão

Tenho-me sentido em baixo nos últimos tempos, atingindo ontem um estado de decadencia grande.
Nunca fui muito de deprimir, de andar mal cabisbaixo ou triste, mas tenho-me sentido assim.
A conselho de um amigo, fui dar uma volta, espairecer um pouco. Fui até ao Cais do Sodré andar de eléctrico. Sempre gostei de andar de eléctrico à noite, naqueles antigos. Faz-me sentir bem.

Cheguei a conclusão que estou numa fase má... está-me tudo a acontecer ao mesmo tempo e eu já não consigo lidar com tudo. Eu sei que são fases, e que quase todos estes problemas têm solução, mas tudo ao mesmo tempo pesa. Sinto-me cansado, sobretudo psicológicamente.

O meu pai tem cancro. Descobriu-se em Julho e desde então tem andado em quimioterapia. No inicio correu muito bem, mas ele agora esta a deixar-se abater imenso, já não aguenta mais. Depois de fazer uns exames, nesse mesmo dia, o médico disse que à partida estava tudo bem, e que já nao tinha quase células nenhumas cancerígenas, necessitando apenas de mais duas sessões de quimio para ficar mesmo com a certeza. Segunda-feira disse que teve a analisar os exames como deve de ser e afinal disse que o eu pai não estava curado, nem la perto. Fodasse, ele já não aguenta mais! Nunca foi de desistir nem pessimista, e sempre teve aquele pensamento de que se tem que fazer, faz-se e faz-se com um sorriso na cara. Hoje já nao pensa assim. Ele está abatidíssimo, e cansado. Nao deixou de lutar, mas ja tem muito menos forças.

A minha mãe esta pior do que ele. Vive as coisas de uma forma mais dramática e intensa que o meu pai. Eu sei que é ela que está a apanhar com tudo por tabela mas tambem nao pode ser assim tão stressada. Toma dois calmantes por dia e de calma nao tem nada! Esta numa fase muito ma, farta de tudo e de todos, menos dos filhos! Posso estar a ser egoísta, mas nao consigo ter paciencia para ela! E sinto--me mal com isso...

Mais uma coisa: vou ser operado no final deste mes. É a segunda operação que vou ter ao joelho em menos de dois anos. Depois disso vem a fisioterapia e a recuperação dolorosa. Não vou ter paciencia para isso. Estou farto deste joelho. A ultima vez que fui operado, perdi um momento que era muito importante para mim, passei o natal na cama, o ano novo na cama (tres semanas na cama sempre na mesma posição), e durante 6 meses fiz todos os dias fisioterapia. Agora vai bem mais simples e a recuperação tambem, mas não vou ter paciencia. E contudo, ninguem e capaz de me dizer se o joelho vai ficar mesmo bem com esta operação. Não ha garantias. Mais uma preocupação para os meus pais. E eu sinto-me culpado.

Na faculdade sinto que nao me estou a empenhar nem um terço que devia. Estou um bocado a cagar para aquilo. Nao me sinto motivado a fazer o curso. Nunca senti. E depois, escolhi um dos cursos mais dificeis na faculdade mais dificil. Se nao dedicoa pelo menos 70% do meu dia chumbo as cadeiras. O primeiro ano correu mal. Chumbei a mais de metade. E este ano para lá caminha se eu não começar a trabalhar aserio. Estou triste com isso. Desiludo-me a mim proprio. Penso e repenso e acho que o motivo para tal é o facto de eu nao querer fazer este curso. Nao e um sonho.... é mais um "tem de ser"... Eu juro que gostava de mudar para algo diferente, so gostava de saber o que... não sei o que me tornaria feliz. E esse é o meu grande problema, não sei o que quero. O meu irmao sempre soube desde puto, e esta a fazer aquilo que sempre sonhou. Quem me dera ter assim um sonho. Enquanto isso nao acontece, vou fazendo este. É um curso conceituado, e sempre é uma mais valia. Contudo, falta motivação.

Estes são os grandes problemas da minha vida actualmente e tambem sem resolução à vista. Nao sei como vao estar daqui a alguns meses. Estarão resolvidos? Estarão piores? Medo do desconhecido.

Tenho outro problema entre mãos, que me magoa bastante. Tenho uma amiga que é o meu mais que tudo. É a minha princesa, é a pessoa que melhor me conhece, a pessoa que mais me marcou em toda a minha vida. Tenho as melhores memorias com ela. É aquela pessoa a quem se chama melhor amiga (apesar de nao gostar do termo). Neste ultimo ano distanciamos-nos. Atribuo dois motivos. Por deixarmos de ser da mesma escola, e porque eu sai de casa dos meus pais (por vontade propria) e vim viver com a pessoa que ela mais "odeia". Eramos vizinhos e deixamos de o ser, ela pensou que eu a "abandonei", e que a outra rapariga com quem vivia era mais importante para mim. Tentei mostrar-lhe o contrario ao longo do ano, mas ela mantinha-se fechada. Fartava-me de a convidar para vir cá a casa, mas arranjava milhares de desculpas para não vir, e so vinha se eu tivesse a certeza que a outra nao estaria ca. Faltou a minha festa de anos que era em conjunto com a outra visto que fazemos anos na mesma semana. E quando fiz o interrail com a outra foi a gota de agua para ela. Ao fim do ano, depois do interrail a minha amiga saiu de casa. As coisas ficaram bem melhores, mas nada como antigamente. No final das ferias estavamos cinco estrelas mas depois, parece que voltou ao mesmo. As coisas deixaram as suas marcas. Só Deus sabe a falta que ela me faz, o quanto preciso do abraço dela. As lagrimas estão a escorrer-me pela cara abaixo. lagrimas de dor. Não consigo falar mais dela. Nem sequer consigo dizer o que ela significa para mim... abate-me imenso. Não atribuo culpas a ninguem... nem a mim, nem a ela e muito menos a outra. A vida está em constante alteração, mas ha pessoas insubstituiveis.

Gostava de aprender a saber viver com a minha homossexualidade. É uma coisa que me perturba imenso há anos, desde que senti o meu primeiro impulso. Este é o meu maior ponto fraco. Na adolescencia fui gozado por me dar mais com raparigas, e por nao jogar a bola e por ser uma merda a educação fisica, etc. No final do 3º ciclo as coisas eram diferentes, e no secundario entao já era um miudo normal, mas aquele bullying deixou as suas marcas. E algum feito por grandes amigos meus actualmente. Mas tudo o que ouço vindo da sociedade e tudo o que passei, faz-me ter medo. Medo ser eu mesmo, medo de ir a procura de alguem que me faça feliz. Vejo os meu amigos, o meu grupo de amigos mais proximo, a gozar constantemente com um amigo meu que é gay assumido. E fico triste. Eles são os meus melhores amigos e fazem isso. Como e que raio eu poderei falar algum dia com eles sobre isso. E eu sinto necessidade disso. Sinto necessidade de poder falar abertamente com algum deles se precisar, e já aconteceu varias vezes sentir-me sozinho por isso mesmo. Mas eu ainda sou mais estupido, porque tenho pessoas a quem poderia contar com a certeza que nada iria mudar e que me iam dar todo o apoio, e  que me faria sentir super feliz mas não o faço. Tenho medo, mas tanto medo. Sinto necessidade de o fazer, mas não consigo. Não quero andar a contar praí a torto e a direito, como é obvio. Não vou escrever um cartaz e andar com ele ao pescoço. Nada disso. Mas ha pelo menos 3 ou 4 pessoas que eu quero que saibam porque me deixaria feliz, porque era mais um passo que eu dava contra os meus medos e porque essas pessoas sao bastante importantes para mim. Mas nao sou capaz.
Depois há ainda os meus pais. Tenho tanto medo. Eu acho que ambos sabem ou pelo menos desconfiam de algo, mas é uma cena que para mim e muito dificil. Há uns anos ouvi a minha mae dizer que nao gostaria nada de ter um filho gay. Ela nao disse por mal, mas aquilo marcou-me e nao consigo esquecer. Como e que depois de ter ouvido isto vou arranjar forças para lhes dizer algo? O meu pai sempre se mostrou liberal neste assunto dizendo varias vezes a sua opinião em publico e em familia, acho que era mesmo a dar-me umas dicas. E a minha mae apesar de muito menos também é liberal, e ate tem conhecidos gays e respeita, mas também goza, também diz mal, tambem consegue ser extremista, e ouvir algumas das opiniões dela magoa. Não me sinto minimamente preparado para lhes dizer. Nem daqui a vinte anos ou trinta. E isso deixa-me triste, apesar de saber que nao vai ser assim

Por fim, tenho-me sentido bastante carente ultimamente... nunca fui assim. Sempre caguei para essas coisas, mas não sei se é por estar num momento de fragilidade, mas sinto muito a falta de alguém que me apoie e me de carinhos e me faça passar bons momentos... Conheci um rapaz agora e tenho falado um pouco com ele. Tem sido importante para mim algumas conversas, e ele faz-me sentir super bem. Na realidade sinto que ele pode ser essa pessoa de quem sinto falta, mas no fundo sei que está longe disso. Apesar de saber algumas coisas dele, não o conheço bem, e o nivel de confiança aida nao é o suficiente. Sobretudo não sinto os mesmo sentimentos da parte dele. Apenas ve em mim uma boa amizade, acho eu.  Mas para mim, ele é um bocado mais, desperta em mim outras coisas, apesar de haver um longo caminho a percorrer. Nunca fui de me atirar de cabeça pra cima de alguem sem ter a certeza que a conheço minimamente. Mas não ficaria triste sendo apenas amigo dele, mais vale isso que nada. Uma coisa é certa, a conversa com ele, fico a sorrir, esqueço tudo. Ele faz-me sentir bem. Mas também fico triste pensar que nao sou correspondido nestes meus sentimentos, ainda minúsculos e insignificantes.



Acho que todas estas coisas juntas estão a pesar muito em mim. Algumas já antigas, outras mais recentes. Preciso de apoio e de ver que algumas coisas vao mudar para melhor. Contudo acabei de reler o texto todo e sinto-me um pouco melodramático demais. Não estarei a exagerar na gravidade dos meus problemas? Não estarei a fazer-me de coitadinho (não para os outros, mas par mim, numa tentativa de autojustificar as minhas falhas)? Nao sei. Apenas sei que me sinto mal.

Vou utilizar uma frase que o Non publicou ontem no seu blog, para finalizar o post:

"People cry, no because they're weak. 
It's because they've been strong for too long."

4 comentários:

  1. Realmente, quando uma coisa começa a ficar mal, outras tantas começam a “nascer como cogumelos”. Tens razão, é apenas uma fase da tua vida. Uma fase bastante difícil mas que, acredito que o sol irá romper esse negro céu carregado de nuvens. Quando? Tens que ultrapassar os obstáculos primeiro.
    Quanto à situação do teu pai…prefiro não comentar. Já passei por duas situações, muitíssimo chegadas e sei que, as pessoas à nossa volta ‘entram em guerra’ com Deus, com amigos, familiares e com eles mesmos. O que podes fazer? Tentares acumular paciência para conseguires lidar com a tua mãe e muita energia positiva, para arribares o teu pai. Ah! E qualquer pedido que ele te faça, não digas que não, para mais tarde não te arrependeres de teres sido o maior idiota ao cimo da terra porque simplesmente não estavas com paxorra! (disse que não falava acerca do assunto e acabei por me esticar um pouco…)
    Quanto ao curso…pensa antes de uma outra forma: Em tudo o que me meto, vou dar o meu máximo! (é uma máxima que se aplica a tudo na vida)
    A tua amiga…nem eu consigo dar-te uma explicação! Ao princípio notei que foi por ciúmes, mágoa, vingança (?) (não ir à festa de aniversário). É normal que, após tanto tempo ‘separados’, as coisas não voltem ao que eram. É muito difícil. Ela poderá estar ainda muito magoada.
    Sabes, há coisas que eu também ainda não entendo em mim! Não entendo porque razão há dias em que acordo com a neura, e que corro tudo e todos com respostas tortas e ofensivas. Se eu parar um pouco para pensar o porquê da minha “neura”, acabo por chegar à brilhante conclusão de que Não SEI! Portanto: já não paro para me interrogar, simplesmente sei que tenho de continuar assim, ‘simpática’ desta forma até ao final do dia! Mulheres! Humpf! São umas queridas!

    E não te 'culpes' de nada. Os motivos são bastantes e como uma gigantesca bola de neve, para que estejas assim tão em baixo.
    Tenta afastar nuvens negras. Melhores dias virão.

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  2. Não sou bom nisto...

    Mas cá vai.! Já tive as minhas neuras, já tive os meus problemas. Quem não os tem? Magoam? Deixam-nos na merda? Bem no fundo do poço? Pois bem, é verdade... mas nunca ouvis-te dizer que Deus fecha uma porta mas abre sempre uma janela? É bem mais difícil passar por esta do que por uma porta, mas dificuldades, magoas e tristezas fazem parte da vida. Portanto, toca a levantar, abrir essa grande janela e passar por ela de cabeça levantada. Difícil? Será! Mas tem de ser... e o que tem de ser há que ser feito como todas as outras coisas que fazemos só por nos apetecer.

    É complicado tudo pelo que estás a passar. É! Mas o que tiver de acontecer e o que tiver de ser de certa forma não está nas tuas mãos. Só podes tentar melhorar as coisas e seres o melhor que conseguires. Mais tarde terás o teu descanso, o teu sol brilhará mais e quando olhares para trás vais ver como tudo passou e que agora é seguir em frente... sempre em frente.

    Acho que não tenho mais a dizer. O teu texto de certa forma deixou-me triste. Já passei algumas coisas como estás a passar agora e estou vivo e bem. Já me conquistei a mim mesmo e aceitei a minha homossexualidade pois afinal não é minha culpa e tenho que viver com ela para todo o sempre. Portanto, vamos masé em frente, vamos aproveitar a vida, vamos aproveitar o que temos de bom.

    Mais uma coisa... não sejas fraco por opção, sê antes forte por ti e pelos outros!

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  3. Obrigado ana! Não disseste nada que eu nao soubesse ainda, mas que as vezes esqueço-me!

    Non, tens razao, eu tenho que passar a janela, tenho que seguir em frente, enfrentar os problemas e deixar que a vida faça o resto. Todos temos momentos maus.
    Gostei muito da tua ultima frase. Acho que me fez falta muitas vezes, principalmente no passado. Mas agora nao. Nao me sinto fraco, sinto-me cansado. E se há coisa que tento ser sempre, é ser forte, principalmente pelos outros!

    Obrigado aos dois, estava a espera da vossa resposta. =D

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